quinta-feira, 5 de abril de 2012

A Vida.

A vida é uma coisa engraçada, passa 100% do tempo trollando a gente e a gente nem percebe.

Você passa incontáveis anos com a certeza de que precisa desesperadamente mudar pra Europa, viver uma coisa nova, ver gente nova, conhecer novos lugares. Você faz planos, você sonha com isso, você conta os dias pra fazer isso, porque é a coisa certa a fazer e assim você vai ser feliz. Aí você consegue tudo aquilo que você sempre sonhou e planejou, e a partir desse momento você só consegue pensar em como você quer voltar a ter a vida que você tinha antes (e que nunca aproveitava porque passava todo o seu tempo planejando a vida que você tem agora), você sonha e planeja voltar pro seu país, pra sua cidade, pros seus antigos amigos e zaz. E quando você se dá conta, você percebe que nunca consegue viver no presente, porque sempre tem alguma coisa a mais que você quer e que está no futuro, ou no passado, e você não consegue se desligar, e a vida vai passando e você não vê, você não aproveita.

É como quando se é criança e tudo o que você mais quer é ser adulto, então você faz de tudo pra ser como as pessoas grandes e as vezes acaba até esquecendo de ser criança pra isso. E quando você cresce, você passa o resto da vida lembrando de como eram bons os tempos que já se foram, e querendo voltar a ser criança.

Ou quando você está na escola e não vê a hora de ir pra faculdade, e na faculdade você sente saudades da escola; é como quando você passa anos sonhando com o dia em que vai ser formar, e depois disso passa anos revivendo na memória como foram bons os tempos de faculdade.

Reflexões e reclamações a parte, eu só sei que me dei conta de que eu estou sentada na frente de um computador enquanto minha vida está passando, e eu estou aproveitando tão pouco dela que não é o suficiente nem pra guardar lembranças. Sabe aqueles momentos que ficam na memória, que te fazem rir até perder o ar só de lembrar? Pois é, eu também não. E não existe nada nem ninguém ao me redor que eu possa culpar por isso, além de mim mesma.

E o que fazer? Como proceder? Que atitude tomar?

O fato é que EU NÃO SEI APROVEITAR A VIDA, e se aos 23 anos eu já me arrependo e já sinto que perdi muito tempo precioso que não vai voltar mais, imagina como será daqui 10 anos, 20 anos, 50 anos? Vou viver o resto da minha vida de um passado vazio e com poucas lembranças, porque durante a minha juventude eu não soube aproveitar as oportunidades que a troll master vida me deu.

E what the fuck vocês têm a ver com isso? Nada, eu só queria desabafar.

Aceito sugestões de como ser uma pessoa normal. Obrigada.


quarta-feira, 21 de março de 2012

Welcome, Springtime!

Eu sempre publico uma bando de bobagem aqui no blog reclamando da vida, reclamando do tempo, reclamando da comida, reclamando de mim, reclamando dos outros, reclamando do que eu tenho que fazer e do que eu não faço, de tudo e de todos. Mas hoje eu só queria compartilhar com vocês como eu estou feliz com a chegada da Primavera, finalmente!

Só o fato de agora eu poder acordar de manhã com o Sol brilhando no céu azul, em vez da escuridão dos últimos 5 meses, já me dá um boost de ânimo suficiente pra passar o dia todo bem humorada! As plantinhas estão começando a nascer de novo, já tem algumas flores brotando no quintal, e - pasmem - já estou aposentando o casacão durante o dia (embora ainda precise dele quando saio a noite).

Com o aumento(inho) da temperatura, e o fato de que agora o sol só se põe lá pelas 7 e pouco da noite (ao invés das 3 da tarde), as crianças passam o dia brincando na rua, eu não preciso mais ligar o aquecedor no meu quarto, e já dá pra deixar portas e janelas abertas.

Só quem passou quase 5 meses inteiros de frio e escuridão sabe o alívio que é a chegada da Primavera! Tudo parece mais feliz, tudo tem mais luz (literalmente) e faz mais sentido agora que o inverno passou.

Afinal, quem é que não fica feliz com a perspectiva de estar morando num lugar que em 1 mês e pouco estará exatamente assim:


Eu pelo menos estou, e muito! ;)

xx.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Armário Embaixo da Escada, G.D. 12, Naarden



"Um construtor rico e sua mulher vinham jantar e tio Válter tinha esperanças de receber um grande pedido (a companhia de tio Válter fabricava brocas).
— Acho que devemos repassar o programa mais uma vez — disse ele. — Precisamos todos estar em posição às oito horas. Petúnia, você vai estar...?
— Na sala de visitas — disse tia Petúnia sem pestanejar — esperando para dar as boas vindas como manda a etiqueta.
— Ótimo, ótimo. E o Duda?
— Vou esperar para abrir a porta. — Duda deu um sorriso desagradável e hipócrita. — "Posso guardar os seus casacos, Sr. e Sra. Mason?”
— Eles vão adorá-lo! — exclamou tia Petúnia arrebatada.
— Excelente Duda — disse tio Válter. Em seguida dirigiu-se zangado a Harry. — E você?
— Vou ficar no meu quarto, sem fazer barulho, fingindo que não estou em casa — disse Harry monotonamente.
— Exatamente — disse tio Válter, sarcástico."
ROWLING, J.K., "Harry Potter e a Câmara Secreta" cap. 1 .

Não raramente, eu me sinto exatamente como o Harry Potter na casa dos Dursley, sofrendo bully do primo, sendo menosprezado, isolado e tendo que fingir que não existe pra não perturbar os tios malvados.

Já era de se imaginar que como Au Pair eu ia acabar mesmo virando empregada doméstica, e eu estava bem ciente disso quando decidi vir pra cá, então não posso, não vou e nem quero reclamar disso. Mas até aí, o programa promete todo um "intercâmbio cultural", no qual vc é integrado no dia a dia e hábitos da família, tornando-se "parte da família" e sendo tratado como tal. Bullshit.

São mais do que frequentes as situações inesperadas, como quando a host mom vai dar um jantar para os colegas de trabalho em casa, e me coloca pra cortar batatas na cozinha enquanto ela e os filhos fazem sala pra um bando de homens "enternados", e é aí que eu me sinto como o Harry na mão dos Dursley. Eu cortando batatas enquanto as pessoas passam por mim sem me notar, sem me dar oi, e quando termino o que tenho que fazer sou mandada pro meu quarto "...sem fazer barulho, fingindo que não estou em casa" (claro que ninguém nunca me diz isso claramente, mas é sempre o que eles esperam que eu faça).

Daqui a pouco só falta me mandarem dormir no armário embaixo da escada, oh well... quem sabe pelo menos um dia eu não recebo uma coruja com uma carta me convidando a ir pra Hogwarts?

Até lá vou levando minha vidinha de au pair...



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Contos da Carochinha 2





Porque é claro que a minha onda de uruca não podia ter simplesmente terminado ali.

Ontem eu acordei com uma dor de cabeça infernal, fiquei a manhã inteira na cama sem conseguir levantar e já há 2 noites eu não consigo dormir por causa da dor. Hoje de manhã descobri o porquê: tenho um dente do siso nascendo. Não, ele não podia ter começado a nascer antes de eu vir pra cá ou esperado mais 128 dias pra nascer quando eu já estivesse de volta ao Brasil, onde eu posso facilmente ir a um dentista e tratar, ou simplesmente tomar uma dúzia de dorflex pra conseguir suportar a dor. Ele tinha que nascer bem aqui, durante os breve 10 meses em que eu estou num país onde as pessoas não vão ao médico, não tomam remédios e eu sequer posso comprar um analgésico na farmácia para aliviar a dor.

Então eu vou viver em dor e desespero pelo resto dos meus 4 meses e meio aqui. É isso.

Se pá pelo menos vou tomar juízo agora... ou não.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Contos da Carochinha

Eu já fiz uma cacetada de merda nesses quase 6 meses de Holanda, mas só essa semana eu poderia ter ganhado duas vezes o Prêmio Mundial da Cabeça Oca.

Sábado a noite, véspera do meu aniversário, resolvemos eu, Thaís e a Paty sair em Amsterdam pra beber alguma  coisa e comemorar meus 23 aninhos. Elas vieram jantar comigo aqui em Naarden e lá pelas 21:30 ou 22h pegamos o trem pra Amsterdam. Fomos lindas e contentes conversando no trem, despreocupadas da vida. Chegamos em Amsterdam, descemos do trem e continuamos andando lindas pra pegar o tram pro nosso nightclub favorito, o Coco's. Quando de repente eu passo a mão pelo meu braço e me dou conta que tinha feito bosta... eu grito pras meninas "MANO, ESQUECI MINHA BOLSA NO TREM!". Pânico. Desespero. Só lembro da Thais gritando "CORRE" e a gente saindo disparadas de volta pra plataforma pra ver se o trem ainda estava lá. A gente correu, mano como a gente correu! Em 30 segundos a gente tinha voltado pro fundo da estação e subido a escadaria de volta pra plataforma, eu e a Thais entramos correndo no primeiro vagão do trem que a gente viu, correndo e correndo dentro do trem que nem duas abestadas, saindo de um vagão e entrando em outro... até que em um dos vagões uma alma caridosa nos informou que tinha encontrado minha bolsa e devolvido ela pro condutor do trem. ALELUIA, naquele momento eu *quase* não detestei mais os holandeses! Então a gente correu, correu muuuuuitoooo até uma ponta do trem pra pegar minha bolsa com o condutor e quando chegamos lá não tinha ninguém dentro da cabine, aí a gente correu muuuuitooo pra chegar até o outro lado do trem, a Thaís gritando lá de uma ponta "É DO OUTRO LADO", eu no meio gritando pra Paty "VOLTA PRO OUTRO LADO", a Paty correndo pro outro lado, sem gritar porque ela é muito mais educada que eu e a Thaís, perguntando pro condutor do trem se ele estava com a minha bolsa. Eu cheguei na outra ponta do trem sem ar, sem conseguir respirar mais, e o condutor olhava pra gente com cara de "vcs beberam?" e disse que não tinha bolsa nenhuma e falou pra gente descer e procurar no achados e perdidos. E vamos nós três correr de novo escada a baixo. No meio do caminho a gente encontra uma mulher com uniforme que a gente achou que fosse a condutora que estava no trem, perguntamos se ela tinha visto minha bolsa e ela, com toda educação que só os holandeses conseguem ter, olha pra gente com cara de deboche e diz "é, vocês já passaram por mim três vezes aqui...". Ta, ok, não foi isso que a gente perguntou, e como a gente ficou meio chocada com a gentileza da mulher não respondemos nada. Aí ela resolveu ser prestativa e disse que a condutora que estava no trem tinha descido pra bilheteria e que a gente poderia achar ela lá. Nesse ponto eu já tinha perdido completamente as esperanças de achar minha bolsa inteira, eu só queria sentar e chorar... mas a gente desceu até a bilheteria, eu perguntei da minha bolsa pra moça no balcão e ela também foi mega gentil, me mandou ir pro fim da fila e esperar, nem olhou na minha cara. Mas aí no fim da fila estava quem? A abençoada condutora do trem que guardou a minha bolsa!! Eu nem acreditei, eu recuperei minha bolsa com TUDO dentro, celular, IPod, dinheiro, tudinho! Depois disso a gente ficou super atordoada, foram os 15 ou 20 minutos mais estressantes da minha vida. A gente sentou no tram e já estávamos cansadas. Não preciso dizer que não fomos ao Coco's no fim, o melhor programa da noite foi ir pra casa dormir depois do susto. Façanha da semana número um, done.

Mas isso não foi nada comparado à minha quinta feira urucada. Só pra começar, não eram nem 9h da manhã e meu notebook não funcionava mais e eu derrubei meu IPod da escada e quebrei o visor. Tudo dando certo já logo cedo, adoro. Como eu tinha que ir pra Utrecht de qualquer jeito pra ir na imigração pegar meu visto permanente, achei que ia ser uma  boa idéia passar no shopping pra comprar um note novo, já que o meu já não dava mais pro gasto fazia tempo e agora tinha resolvido pifar de vez. Fui feliz, com todas as minhas economias, inclusive todo o dinheiro que eu tinha no meu Visa Travel Money (uma espécie de cartão de débito), decidida a comprar um notebook BOM que não fosse durar só 6 meses como o outro. Demorei um bocadinho na loja, escolhi bem o computador que eu queria e fui feliz da vida pagar. Mais uma vez, me vi tendo que lidar com a boa vontade, gentileza e prestatividade dos holandeses na hora de pagar. A vaca moça do caixa nem olhou na minha cara e disse que não ia aceitar meu cartão. Ela ainda teve a cara de pau de dizer "vc precisa saber a senha do cartão pra poder usá-lo", assim como se eu fosse ter um cartão e não saber a senha, ou como se eu tivesse roubado ele. Mas com essa galera aqui é assim mesmo que funciona, então eu respirei fundo, dei um sorrisinho e disse pra ela que eu ia tirar o dinheiro no banco e voltar pra pagar em cash. Aposto que ela achou que eu não ia voltar mais, mas a cara dela quando eu voltei com os 400 euros na mão pra pagar pelo meu notebook novo foi linda. Até aí eu achei que tudo estava indo melhor do que o planejado, fui alegre e cantante (cantante mesmo, e não contente), carregando meu computador novo, até a imigração pra pegar meu visto. Chegando lá, uma espera de 30 e poucos minutos. Já era mais de meio dia, mas eu estou de folga às quintas feiras, então não me preocupei com a demora. Passam, 10, 20, 30 e alguns minutinhos e finalmente chega a minha vez. Quando eu olho pra menina na minha frente, guardando o passaporte dela na bolsa, eu me dei conta de que esquecer a bolsa no trem é normal, mas vc sair de casa pra ir até a Imigração e NÃO levar o próprio passaporte é coisa de gente burra. Afinal, quem é que vai até a imigração buscar o visto e não leva o passaporte???? EU :D
Mas como já estava na minha vez eu achei que não custava tentar pegar o bendito visto só com a carta da prefeitura e meu documento. Óbvio que não deu né, e eu ainda pedi desculpas pro cara do guichê, só porque eu me senti tão burra que achei que devia me desculpar por ter feito ele perder o tempo dele com uma pessoa que se esquece de levar o passaporte pra retirar o visto. Voltei enfurecida pra casa, no meio do caminho a sacola que eu estava carregando o notebook arrebentou, tive que carregar a caixa na mão até a estação e ainda dar um jeito de trazer ela na bicicleta até em casa. Deixei o computador no quarto, peguei a porra do passaporte e vooei de volta pra estação, resolvei dar uma de João Sem Braço e peguei o trem pra Utrecht usando o mesmo bilhete que eu tinha comprado de manhã, voltei na Imigração COM o passaporte e dessa vez consegui pegar meu visto. Até aí já eram quase 16h, eu tive que pedir pra vizinha buscar minha menina na escola pra mim e pra piorar meu humor eu não tinha comido nada desde as 8h da manhã. Mais uma vez voltei pra casa, e dessa vez eu achei que meu dia já tinha acabado e eu ia poder sentar feliz usando meu novo computador. Mas Murphy me adora demais, e quando eu tentei ligar o notebook pela primeira vez, ele simplesmente não funcionou. Encurtando a história, depois de meia hora lá estava eu pegando o trem pra Utrecht pela TERCEIRA vez no mesmo dia (com o mesmo cartão que eu comprei de manhã....). Ter comprado um computador que não funciona e ainda ter que chegar lá pra aturar de novo aquela simpatia de pessoas acabou de vez com meu humor (não que isso seja difícil), mas além de a moça do caixa ter sugerido que eu estava tentando usar um cartão roubado, o cara da assistência ainda tinha que dizer que não entendia como o computador podia não estar funcionando e que eu deveria ter feito alguma coisa pra ter acontecido aquilo. Eu não me dei o trabalho de dizer pra ele que a única coisa que eu tive tempo de fazer com aquela merda de notebook foi tirar ele da caixa, mas eu acho que ele deduziu pela minha cara que eu não estava nem um pouco feliz, e resolveu trocar o computador pra mim. E enfim, pela terceira vez, eu voltei pra casa. Mas pelo menos dessa vez o computador estava funcionando.

Se alguém jogou uruca em mim, tenho que admitir que ela pegou mesmo. Ou será só culpa do meu miolo mole?

Ser cabeça de vento no seu próprio país é fácil, quero ver você tentar ser tapado em outro país!



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Primeira Neve :)

Hoje, como sempre, meu celular despertou às 7h da manhã e eu levantei da cama resmungando de sono. Escovei os dentes, me troquei, penteei o cabelo, e quando ia abrir a porta do quarto pra sair, minhas kids vieram correndo dizendo "Nathalia, temos neve lá fora! Vem ver, vem ver!". Me pegaram pela mão e descemos correndo as escadas juntos, de mãos dadas, pra ver a neve que caía lá fora. Que coisa mais linda! Que momento mágico! Um sorriso enorme nos rostos de cada um de nós três, e acho que eu era a mais criança ali.

Durante o café, fiquei olhando o tempo todo pela janela, a neve caindo bem fraquinha, o chão do quintal coberto de um branco puríssimo.

De segunda feira eu geralmente não tenho que levar as crianças pra escola, mas hoje eles fizeram questão que eu fosse com eles pra ver a neve de perto, eles queriam ver como seria minha reação à primeira neve. Assim que eu saí de casa e coloquei os pés pela primeira vez naquela neve branquinha, senti que tudo valeu a pena.

A magia da neve contaminou a todos, e eu nunca me senti tão parte dessa família como hoje, quando todos sentamos à mesa e olhamos a neve cair branca e silenciosa lá fora.


Obrigada Holanda, por não me deixar ir embora sem ver essa beleza da natureza :)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Reflexão e desabafo.

Já tem 4 meses e meio que eu estou na Holanda e é claro que a saudade é cruel e machuca, mas eu aprendi a lidar com isso. Estar aqui é uma oportunidade pela qual eu sou muito grata, de verdade, mesmo que não seja exatamente o que eu esperava. Tudo tem um lado positivo e um negativo, e ser Au Pair não é diferente, mas eu aprendi que não adianta nada pesar os dois, porque o que importa não é se existem mais lados positivos ou negativos, e sim como você decide encarar toda a situação e qual atitude você vai ter diante das dificuldades. Foi uma lição difícil de ser aprendida, mas hoje eu posso dizer que sou feliz por estar aqui.

Estando aqui eu pude conhecer inúmeras pessoas e lugares, diferentes hábitos e culturas, diferentes pontos de vista, vi lugares lindos, chorei como nunca pensei que era possível e me diverti como nunca imaginei que faria. Em um único dia, acordei em Amsterdam, a tarde estava em Den Haag, vi o sol se pôr em Delft, aproveitei a noite Rotterdam, e dormi novamente em Naarden. Cada experiência que eu tenho aqui é uma memória que guardarei pro resto da vida, cada amizade feita será lembrada em todos os momentos de alegria, cada riso e cada lágrima virarão história pra contar.

Não me arrependo mais de ter feito essa escolha, de ter vindo pra cá, mas mesmo assim não posso deixar de esperar ansiosa pelo dia em que voltarei ao Brasil. Tenho muitos planos pra quando voltar, e tempo de sobra para aperfeiçoá-los enquanto eu estiver aqui. Não vou deixar de viver cada momento, cada experiência aqui na Holanda com alegria, mas também não vou deixar de me sentir feliz sempre que lembrar que cada dia que passa aqui, me coloca um dia mais perto de ir embora.

Minha passagem de volta ao Brasil já tem dia e hora marcados. No sábado, dia 30 de junho, ás 10:05 da manhã estarei embarcando num voo direto da KLM do aeroporto Schiphol de Amsterdam para Guarulhos em São Paulo.

É, eu sei que enquanto eu faço a contagem regressiva pra ir embora, tem muita gente chorando porque não quer voltar, mas não me levem a mal. Não é que eu não esteja aproveitando meus dias de Au Pair na Holanda, é só uma questão de que existem coisas no Brasil para as quais eu quero muito voltar, e eu estou ansiosa pra tocar minha vida em frente e colocar em prática todos os planos que eu tenho para mim mesma.

Ser Au Pair é uma fase da minha vida, e assim como todas as outras, essa fase vai passar e outra vai vir em seu lugar. Enquanto isso, farei cada dia valer a pena, para poder, lá na frente, olhar pra trás e me orgulhar de ter escolhido passar por essa fase.

Faltam 165 dias e 15 horas... :)