quarta-feira, 21 de março de 2012

Welcome, Springtime!

Eu sempre publico uma bando de bobagem aqui no blog reclamando da vida, reclamando do tempo, reclamando da comida, reclamando de mim, reclamando dos outros, reclamando do que eu tenho que fazer e do que eu não faço, de tudo e de todos. Mas hoje eu só queria compartilhar com vocês como eu estou feliz com a chegada da Primavera, finalmente!

Só o fato de agora eu poder acordar de manhã com o Sol brilhando no céu azul, em vez da escuridão dos últimos 5 meses, já me dá um boost de ânimo suficiente pra passar o dia todo bem humorada! As plantinhas estão começando a nascer de novo, já tem algumas flores brotando no quintal, e - pasmem - já estou aposentando o casacão durante o dia (embora ainda precise dele quando saio a noite).

Com o aumento(inho) da temperatura, e o fato de que agora o sol só se põe lá pelas 7 e pouco da noite (ao invés das 3 da tarde), as crianças passam o dia brincando na rua, eu não preciso mais ligar o aquecedor no meu quarto, e já dá pra deixar portas e janelas abertas.

Só quem passou quase 5 meses inteiros de frio e escuridão sabe o alívio que é a chegada da Primavera! Tudo parece mais feliz, tudo tem mais luz (literalmente) e faz mais sentido agora que o inverno passou.

Afinal, quem é que não fica feliz com a perspectiva de estar morando num lugar que em 1 mês e pouco estará exatamente assim:


Eu pelo menos estou, e muito! ;)

xx.

sexta-feira, 9 de março de 2012

O Armário Embaixo da Escada, G.D. 12, Naarden



"Um construtor rico e sua mulher vinham jantar e tio Válter tinha esperanças de receber um grande pedido (a companhia de tio Válter fabricava brocas).
— Acho que devemos repassar o programa mais uma vez — disse ele. — Precisamos todos estar em posição às oito horas. Petúnia, você vai estar...?
— Na sala de visitas — disse tia Petúnia sem pestanejar — esperando para dar as boas vindas como manda a etiqueta.
— Ótimo, ótimo. E o Duda?
— Vou esperar para abrir a porta. — Duda deu um sorriso desagradável e hipócrita. — "Posso guardar os seus casacos, Sr. e Sra. Mason?”
— Eles vão adorá-lo! — exclamou tia Petúnia arrebatada.
— Excelente Duda — disse tio Válter. Em seguida dirigiu-se zangado a Harry. — E você?
— Vou ficar no meu quarto, sem fazer barulho, fingindo que não estou em casa — disse Harry monotonamente.
— Exatamente — disse tio Válter, sarcástico."
ROWLING, J.K., "Harry Potter e a Câmara Secreta" cap. 1 .

Não raramente, eu me sinto exatamente como o Harry Potter na casa dos Dursley, sofrendo bully do primo, sendo menosprezado, isolado e tendo que fingir que não existe pra não perturbar os tios malvados.

Já era de se imaginar que como Au Pair eu ia acabar mesmo virando empregada doméstica, e eu estava bem ciente disso quando decidi vir pra cá, então não posso, não vou e nem quero reclamar disso. Mas até aí, o programa promete todo um "intercâmbio cultural", no qual vc é integrado no dia a dia e hábitos da família, tornando-se "parte da família" e sendo tratado como tal. Bullshit.

São mais do que frequentes as situações inesperadas, como quando a host mom vai dar um jantar para os colegas de trabalho em casa, e me coloca pra cortar batatas na cozinha enquanto ela e os filhos fazem sala pra um bando de homens "enternados", e é aí que eu me sinto como o Harry na mão dos Dursley. Eu cortando batatas enquanto as pessoas passam por mim sem me notar, sem me dar oi, e quando termino o que tenho que fazer sou mandada pro meu quarto "...sem fazer barulho, fingindo que não estou em casa" (claro que ninguém nunca me diz isso claramente, mas é sempre o que eles esperam que eu faça).

Daqui a pouco só falta me mandarem dormir no armário embaixo da escada, oh well... quem sabe pelo menos um dia eu não recebo uma coruja com uma carta me convidando a ir pra Hogwarts?

Até lá vou levando minha vidinha de au pair...



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Contos da Carochinha 2





Porque é claro que a minha onda de uruca não podia ter simplesmente terminado ali.

Ontem eu acordei com uma dor de cabeça infernal, fiquei a manhã inteira na cama sem conseguir levantar e já há 2 noites eu não consigo dormir por causa da dor. Hoje de manhã descobri o porquê: tenho um dente do siso nascendo. Não, ele não podia ter começado a nascer antes de eu vir pra cá ou esperado mais 128 dias pra nascer quando eu já estivesse de volta ao Brasil, onde eu posso facilmente ir a um dentista e tratar, ou simplesmente tomar uma dúzia de dorflex pra conseguir suportar a dor. Ele tinha que nascer bem aqui, durante os breve 10 meses em que eu estou num país onde as pessoas não vão ao médico, não tomam remédios e eu sequer posso comprar um analgésico na farmácia para aliviar a dor.

Então eu vou viver em dor e desespero pelo resto dos meus 4 meses e meio aqui. É isso.

Se pá pelo menos vou tomar juízo agora... ou não.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Contos da Carochinha

Eu já fiz uma cacetada de merda nesses quase 6 meses de Holanda, mas só essa semana eu poderia ter ganhado duas vezes o Prêmio Mundial da Cabeça Oca.

Sábado a noite, véspera do meu aniversário, resolvemos eu, Thaís e a Paty sair em Amsterdam pra beber alguma  coisa e comemorar meus 23 aninhos. Elas vieram jantar comigo aqui em Naarden e lá pelas 21:30 ou 22h pegamos o trem pra Amsterdam. Fomos lindas e contentes conversando no trem, despreocupadas da vida. Chegamos em Amsterdam, descemos do trem e continuamos andando lindas pra pegar o tram pro nosso nightclub favorito, o Coco's. Quando de repente eu passo a mão pelo meu braço e me dou conta que tinha feito bosta... eu grito pras meninas "MANO, ESQUECI MINHA BOLSA NO TREM!". Pânico. Desespero. Só lembro da Thais gritando "CORRE" e a gente saindo disparadas de volta pra plataforma pra ver se o trem ainda estava lá. A gente correu, mano como a gente correu! Em 30 segundos a gente tinha voltado pro fundo da estação e subido a escadaria de volta pra plataforma, eu e a Thais entramos correndo no primeiro vagão do trem que a gente viu, correndo e correndo dentro do trem que nem duas abestadas, saindo de um vagão e entrando em outro... até que em um dos vagões uma alma caridosa nos informou que tinha encontrado minha bolsa e devolvido ela pro condutor do trem. ALELUIA, naquele momento eu *quase* não detestei mais os holandeses! Então a gente correu, correu muuuuuitoooo até uma ponta do trem pra pegar minha bolsa com o condutor e quando chegamos lá não tinha ninguém dentro da cabine, aí a gente correu muuuuitooo pra chegar até o outro lado do trem, a Thaís gritando lá de uma ponta "É DO OUTRO LADO", eu no meio gritando pra Paty "VOLTA PRO OUTRO LADO", a Paty correndo pro outro lado, sem gritar porque ela é muito mais educada que eu e a Thaís, perguntando pro condutor do trem se ele estava com a minha bolsa. Eu cheguei na outra ponta do trem sem ar, sem conseguir respirar mais, e o condutor olhava pra gente com cara de "vcs beberam?" e disse que não tinha bolsa nenhuma e falou pra gente descer e procurar no achados e perdidos. E vamos nós três correr de novo escada a baixo. No meio do caminho a gente encontra uma mulher com uniforme que a gente achou que fosse a condutora que estava no trem, perguntamos se ela tinha visto minha bolsa e ela, com toda educação que só os holandeses conseguem ter, olha pra gente com cara de deboche e diz "é, vocês já passaram por mim três vezes aqui...". Ta, ok, não foi isso que a gente perguntou, e como a gente ficou meio chocada com a gentileza da mulher não respondemos nada. Aí ela resolveu ser prestativa e disse que a condutora que estava no trem tinha descido pra bilheteria e que a gente poderia achar ela lá. Nesse ponto eu já tinha perdido completamente as esperanças de achar minha bolsa inteira, eu só queria sentar e chorar... mas a gente desceu até a bilheteria, eu perguntei da minha bolsa pra moça no balcão e ela também foi mega gentil, me mandou ir pro fim da fila e esperar, nem olhou na minha cara. Mas aí no fim da fila estava quem? A abençoada condutora do trem que guardou a minha bolsa!! Eu nem acreditei, eu recuperei minha bolsa com TUDO dentro, celular, IPod, dinheiro, tudinho! Depois disso a gente ficou super atordoada, foram os 15 ou 20 minutos mais estressantes da minha vida. A gente sentou no tram e já estávamos cansadas. Não preciso dizer que não fomos ao Coco's no fim, o melhor programa da noite foi ir pra casa dormir depois do susto. Façanha da semana número um, done.

Mas isso não foi nada comparado à minha quinta feira urucada. Só pra começar, não eram nem 9h da manhã e meu notebook não funcionava mais e eu derrubei meu IPod da escada e quebrei o visor. Tudo dando certo já logo cedo, adoro. Como eu tinha que ir pra Utrecht de qualquer jeito pra ir na imigração pegar meu visto permanente, achei que ia ser uma  boa idéia passar no shopping pra comprar um note novo, já que o meu já não dava mais pro gasto fazia tempo e agora tinha resolvido pifar de vez. Fui feliz, com todas as minhas economias, inclusive todo o dinheiro que eu tinha no meu Visa Travel Money (uma espécie de cartão de débito), decidida a comprar um notebook BOM que não fosse durar só 6 meses como o outro. Demorei um bocadinho na loja, escolhi bem o computador que eu queria e fui feliz da vida pagar. Mais uma vez, me vi tendo que lidar com a boa vontade, gentileza e prestatividade dos holandeses na hora de pagar. A vaca moça do caixa nem olhou na minha cara e disse que não ia aceitar meu cartão. Ela ainda teve a cara de pau de dizer "vc precisa saber a senha do cartão pra poder usá-lo", assim como se eu fosse ter um cartão e não saber a senha, ou como se eu tivesse roubado ele. Mas com essa galera aqui é assim mesmo que funciona, então eu respirei fundo, dei um sorrisinho e disse pra ela que eu ia tirar o dinheiro no banco e voltar pra pagar em cash. Aposto que ela achou que eu não ia voltar mais, mas a cara dela quando eu voltei com os 400 euros na mão pra pagar pelo meu notebook novo foi linda. Até aí eu achei que tudo estava indo melhor do que o planejado, fui alegre e cantante (cantante mesmo, e não contente), carregando meu computador novo, até a imigração pra pegar meu visto. Chegando lá, uma espera de 30 e poucos minutos. Já era mais de meio dia, mas eu estou de folga às quintas feiras, então não me preocupei com a demora. Passam, 10, 20, 30 e alguns minutinhos e finalmente chega a minha vez. Quando eu olho pra menina na minha frente, guardando o passaporte dela na bolsa, eu me dei conta de que esquecer a bolsa no trem é normal, mas vc sair de casa pra ir até a Imigração e NÃO levar o próprio passaporte é coisa de gente burra. Afinal, quem é que vai até a imigração buscar o visto e não leva o passaporte???? EU :D
Mas como já estava na minha vez eu achei que não custava tentar pegar o bendito visto só com a carta da prefeitura e meu documento. Óbvio que não deu né, e eu ainda pedi desculpas pro cara do guichê, só porque eu me senti tão burra que achei que devia me desculpar por ter feito ele perder o tempo dele com uma pessoa que se esquece de levar o passaporte pra retirar o visto. Voltei enfurecida pra casa, no meio do caminho a sacola que eu estava carregando o notebook arrebentou, tive que carregar a caixa na mão até a estação e ainda dar um jeito de trazer ela na bicicleta até em casa. Deixei o computador no quarto, peguei a porra do passaporte e vooei de volta pra estação, resolvei dar uma de João Sem Braço e peguei o trem pra Utrecht usando o mesmo bilhete que eu tinha comprado de manhã, voltei na Imigração COM o passaporte e dessa vez consegui pegar meu visto. Até aí já eram quase 16h, eu tive que pedir pra vizinha buscar minha menina na escola pra mim e pra piorar meu humor eu não tinha comido nada desde as 8h da manhã. Mais uma vez voltei pra casa, e dessa vez eu achei que meu dia já tinha acabado e eu ia poder sentar feliz usando meu novo computador. Mas Murphy me adora demais, e quando eu tentei ligar o notebook pela primeira vez, ele simplesmente não funcionou. Encurtando a história, depois de meia hora lá estava eu pegando o trem pra Utrecht pela TERCEIRA vez no mesmo dia (com o mesmo cartão que eu comprei de manhã....). Ter comprado um computador que não funciona e ainda ter que chegar lá pra aturar de novo aquela simpatia de pessoas acabou de vez com meu humor (não que isso seja difícil), mas além de a moça do caixa ter sugerido que eu estava tentando usar um cartão roubado, o cara da assistência ainda tinha que dizer que não entendia como o computador podia não estar funcionando e que eu deveria ter feito alguma coisa pra ter acontecido aquilo. Eu não me dei o trabalho de dizer pra ele que a única coisa que eu tive tempo de fazer com aquela merda de notebook foi tirar ele da caixa, mas eu acho que ele deduziu pela minha cara que eu não estava nem um pouco feliz, e resolveu trocar o computador pra mim. E enfim, pela terceira vez, eu voltei pra casa. Mas pelo menos dessa vez o computador estava funcionando.

Se alguém jogou uruca em mim, tenho que admitir que ela pegou mesmo. Ou será só culpa do meu miolo mole?

Ser cabeça de vento no seu próprio país é fácil, quero ver você tentar ser tapado em outro país!



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Primeira Neve :)

Hoje, como sempre, meu celular despertou às 7h da manhã e eu levantei da cama resmungando de sono. Escovei os dentes, me troquei, penteei o cabelo, e quando ia abrir a porta do quarto pra sair, minhas kids vieram correndo dizendo "Nathalia, temos neve lá fora! Vem ver, vem ver!". Me pegaram pela mão e descemos correndo as escadas juntos, de mãos dadas, pra ver a neve que caía lá fora. Que coisa mais linda! Que momento mágico! Um sorriso enorme nos rostos de cada um de nós três, e acho que eu era a mais criança ali.

Durante o café, fiquei olhando o tempo todo pela janela, a neve caindo bem fraquinha, o chão do quintal coberto de um branco puríssimo.

De segunda feira eu geralmente não tenho que levar as crianças pra escola, mas hoje eles fizeram questão que eu fosse com eles pra ver a neve de perto, eles queriam ver como seria minha reação à primeira neve. Assim que eu saí de casa e coloquei os pés pela primeira vez naquela neve branquinha, senti que tudo valeu a pena.

A magia da neve contaminou a todos, e eu nunca me senti tão parte dessa família como hoje, quando todos sentamos à mesa e olhamos a neve cair branca e silenciosa lá fora.


Obrigada Holanda, por não me deixar ir embora sem ver essa beleza da natureza :)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Reflexão e desabafo.

Já tem 4 meses e meio que eu estou na Holanda e é claro que a saudade é cruel e machuca, mas eu aprendi a lidar com isso. Estar aqui é uma oportunidade pela qual eu sou muito grata, de verdade, mesmo que não seja exatamente o que eu esperava. Tudo tem um lado positivo e um negativo, e ser Au Pair não é diferente, mas eu aprendi que não adianta nada pesar os dois, porque o que importa não é se existem mais lados positivos ou negativos, e sim como você decide encarar toda a situação e qual atitude você vai ter diante das dificuldades. Foi uma lição difícil de ser aprendida, mas hoje eu posso dizer que sou feliz por estar aqui.

Estando aqui eu pude conhecer inúmeras pessoas e lugares, diferentes hábitos e culturas, diferentes pontos de vista, vi lugares lindos, chorei como nunca pensei que era possível e me diverti como nunca imaginei que faria. Em um único dia, acordei em Amsterdam, a tarde estava em Den Haag, vi o sol se pôr em Delft, aproveitei a noite Rotterdam, e dormi novamente em Naarden. Cada experiência que eu tenho aqui é uma memória que guardarei pro resto da vida, cada amizade feita será lembrada em todos os momentos de alegria, cada riso e cada lágrima virarão história pra contar.

Não me arrependo mais de ter feito essa escolha, de ter vindo pra cá, mas mesmo assim não posso deixar de esperar ansiosa pelo dia em que voltarei ao Brasil. Tenho muitos planos pra quando voltar, e tempo de sobra para aperfeiçoá-los enquanto eu estiver aqui. Não vou deixar de viver cada momento, cada experiência aqui na Holanda com alegria, mas também não vou deixar de me sentir feliz sempre que lembrar que cada dia que passa aqui, me coloca um dia mais perto de ir embora.

Minha passagem de volta ao Brasil já tem dia e hora marcados. No sábado, dia 30 de junho, ás 10:05 da manhã estarei embarcando num voo direto da KLM do aeroporto Schiphol de Amsterdam para Guarulhos em São Paulo.

É, eu sei que enquanto eu faço a contagem regressiva pra ir embora, tem muita gente chorando porque não quer voltar, mas não me levem a mal. Não é que eu não esteja aproveitando meus dias de Au Pair na Holanda, é só uma questão de que existem coisas no Brasil para as quais eu quero muito voltar, e eu estou ansiosa pra tocar minha vida em frente e colocar em prática todos os planos que eu tenho para mim mesma.

Ser Au Pair é uma fase da minha vida, e assim como todas as outras, essa fase vai passar e outra vai vir em seu lugar. Enquanto isso, farei cada dia valer a pena, para poder, lá na frente, olhar pra trás e me orgulhar de ter escolhido passar por essa fase.

Faltam 165 dias e 15 horas... :)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Natal, Ano Novo, Família, Paris, Berlim, e de volta à Holanda!

Salveeee 2012! Feliz ano novo manolada!! Sem perder tempo vamos às novidade... por partes.

O Natal. Foi o primeiro Natal que eu passei longe da minha família, e desde muito antes isso já estava doendo e eu achei que não ia suportar. Meu plano inicial era passar o Natal inteiro dentro do quarto chorando sozinha (because I'm a drama queen). Mas eis que mais uma vez eu tenho a Paty pra me salvar. Já vazei pra casa dela na sexta feira a tarde, e passamos o fds todo juntas. No sábado tivemos nossa ceia de Natal *particular* com direito a troca de presentes e vinho chique (cortesia dos hosts da Paty, aqueles lindos). Foi muito especial, não deu nem tempo de ficar triste pensando na parentaiada comendo peru lá no Brasil... amei.

No domingo a noite a minha família (pai, mãe e tia) chegaram em Amsterdam, mas infelizmente eu não pude ir buscá-los no aeroporto. Quase não dormi a noite inteira, acordei cedinho na segunda feira e arrastei a Paty comigo pra ir FINALMENTE encontrar meus pais depois de quase 4 meses longe deles. Foi uma emoção que não dá nem pra tentar explicar... amor de pai e mãe é uma coisa sensacional.

Durante a segunda feira inteirinha nós passeamos e conversamos muito, matamos a saudade, fizemos 18291871873871 coisas juntos, fomos no meu restaurante holandês favorito, fizemos passeio de barco e zaz... foi perfeito. Houve até um encontro entre minha host family (host mom e kids) e minha família de verdade! Foi lindo, adorei vê-los todos juntos, afinal eu já posso dizer que tenho muito carinho (finally!) pela minha família holandesa.

Foram 3 dias com a família em Amsterdam até quarta feira a noite, quando nós 4 pegamos um busão pra Paris... PARIS! *O*

Chegamos lá na quinta feira de manhãzinha e já fomos diretão pro centro da cidade. Eu nunca vou esquecer da euforia que eu senti quando coloquei meus olhos pela primeira na Torre Eiffel! Em um dia conseguimos fazer muita coisa na verdade, vimos a Torre, o Arco do Triunfo, A Champs Elysees, e vários outros lugares que eu nem consigo lembrar.

No dia seguinte fomos à Notre Dame, e cara, acho que é a coisa mais linda que eu já vi na vida. Sérião. Pelo menos eu sempre fui muito interessada em arte e arquitetura gótica (n.a.: não entendo porra nenhuma de arte ou arquitetura, mas sempre achei a coisa mais linda e sou uma amadora entusiasmada), e fiquei boba admirando cada detalhezinho dentro e fora da igreja. Foi aí que eu tive a brilhante idéia de subir na torre de Notre Dame. Foram 2 horas ou até mais na fila esperando, 8 euros pra entrar e MANO, uma ETERNIDADE de escadas pra subir. Me arrpendi de ter entrado lá no terceiro degrau, mas não dava pra desistir mais... subi e subi e subi e subi e eu achei que fosse morrer de claustrofobia e labirintite, subindo aquela escadaria estreitinha, fechada, em caracol... dá um troço só de lembrar, mas quando chegamos lá em cima e eu pude ver Paris inteira, senti que valeu a pena. É encantador.



Fizemos tanta coisa em Paris que na verdade eu não consigo me lembrar direito como as coisas se desenrolaram... mas lembro que depois de Notre Dame fomos ao Louvre e ao Palácio de Versalhes.

O Louvre é enorme, lindo, e eu A-M-E-I as salas de arte Grega porque lembrei dos Cavaleiros do Zodíaco, mas como todo turista inculto eu queria mesmo era ver a Mona Lisa. Decepção. De todos os quadros que eu já vi na vida, a Mona Lisa é o MAIS sem graça, é ridiculamente pequeno e chega a parecer até mal feito perto das outras obras que estão no museu. Pfff.



Brochei depois de ver essa porcaria e quis ir embora do museu, de lá fomos pro Palácio de Versailles. E aí sim hein mano.

É uma coisa absurdamente absurda, a começar pelo preço que eles cobram pra gente entrar lá. Mas até aí, pra quem já tinha pago 10 euros pra ver um quadrinho sem graça no Louvre, eu paguei mais 18 euros com gosto pra entrar no palácio do(s) Rei(s) Luís(es).

É ouro pra todo canto, uma extravagância que não tem nem como explicar, é inimaginável e eu nem vou tentar descrever porque não tem como, simplesmente não tem. É amazing. Se liga só no quarto da rainha:


Acho que Versailles foi a última coisa mega impressionante que eu vi em Paris. Lembro que andamos a cidade inteira pra achar a Sacre Coeur, mas eu tava morrendo de dor nos rins (é, dor nos rins) e não aguentei subir a escadaria, então não vi nada de Sacre Coeur. Vai ficar pra próxima vez.

A grande expectativa era a virada de ano na Champs Elysees, e eu me produzi toda, de maquiagem nova e zaz pra ir passar o que eu achei que fosse ser o ano novo mais chique da minha vida. Chegamos lá com nossa garrafa de champagne francês e uma cesta de queijos e arrumamos um lugarzinho privilegiado no meio da multidão, bem pertidnho do Arco do Triunfo, de onde a gente podia ver o lado da cidade onde fica a Torre e achamos que íamos ver uma queima de fogos inesquecível... Sabe o reveillon da Av. Paulista? Com certeza foi bem mais legal do que o nosso. Pff... preferia ter ido ver a Mona Lisa de novo. Mas whatever, o que importa é que eu estava com a minha família linda vendo 2012 chegar de Paris. Uh la la!

Na segunda a noite pegamos o busão de volta pra Amsterdam, e terça feira foi dia de despedida... doeu infinitamente mais ter que me despedir dos meus pais pela segunda vez, principalmente depois do tanto que eu fiquei homesick quando cheguei aqui... eu achei que não fosse aguentar me separar deles de novo, mas acho que eu já estou começando a ficar meio anestesiada, e fui forte o suficiente pra conseguir soltar a mão do meu pai e andar de cabeça erguida pro portão de embarque... porque enquanto eles embarcavam de volta pro Brasil, eu embarcava em direção ao meu segundo maior sonho: Alemanha!

Eu pra variar fui viajar sem ter onde ficar. Ok, acho que já estou me acostumando com isso... cheguei no aeroporto de Berlim as 21h, peguei minha malinha e sentei me perguntando "Deus, o que eu faço agora? Pra onde eu vou???" e eis que eu olho pro lado e tem um cartaz de um hostel, com um número de telefone e as palavras "ligue grátis para esse número...", e eu liguei. Foi a melhor coisa que eu fiz, pq não só o hostel tinha uma caminha fofinha e limpinha num quarto só de meninas pra mim, como também tinha pessoas novas esperando pra me conhecer lá!

Pra resumir, fiz uma amiga do Irã que me acompanhou dois dias inteiros passeando sem rumo em Berlim, e conheci duas meninas da - pasmem - Holanda! Super simpáticas, passei um dia todo com elas e ainda descobri que os holandeses são muito mais simpáticos que a maioria dos alemães (sad but true).

Como eu disse, conhecer a Alemanha era o meu segundo maior sonho (depois de Londres), e talvez eu estivesse com as expectativas altas demais, por que na minha opinião Berlim não é nem 20% tão fodástica quanto eu achei que ia ser. Acho que não é por nada, não sei explicar... mas eu senti um clima pesado em todo lugar que eu ia, a cidade é cinza e até um pouco feia, as partes do Muro espalhadas em todo canto e os memoriais de guerra e coisas do tipo dão um toque meio que assustador, é tenso, a energia não é boa. Talvez fosse só eu, porque eu sempre amei estudar a história alemã, especialmente a Segunda Guerra Mundial (meus professores da faculdade que o digam!), e em cada cantinho da cidade que eu pisava eu conseguia imaginar o terror que deve ter acontecido ali, e eu acabava sempre com um nó na garganta. Mas a experiência é impagável.

 

Uma coisa que eu decidi é que eu queria ir sozinha visitar o Museu dos Judeus, e foi a melhor decisão que eu tomei. Eu fiquei horas, mas assim, HORAS lá dentro. Eu analisei profundamente cada detalhe, eu li todos os depoimentos, li todas as cartas que estavam expostas, admirei todas as fotografias e peças originais, me permiti sentir cada sensação que o lugar proporciona. Óbvio que esse também não é um lugar de energias positivas, todas as histórias são tristes e eu cheguei a chorar quando entrei na "Holocaust Tower", uma torre  escura de 24 metros de altura fria e silenciosa, que foi construída para reviver a sensação de estar dentro de uma câmara de gás.



Apesar desse climão zuado, eu tive meus dias de alegria. Na sexta feira eu fui no aeroporto buscar minha amiga Cathy, nós fizemos faculdade juntas e ela está morando na Alemanha agora, tinha mais de 6 meses que não nos víamos! Foi tão legal encontrar com ela que eu esqueci da vida! Ficamos as duas na casa de uma outra amiga, fizemos comidinhas brasileiras, comemos 10298193819721928 donuts, bebemos 10219812710281961876319728712 litros de cerveja alemã e conversamos até as 4 e pouco da manhã. Foi delcioso!

No domingo, meu último dia em Berlim e último dia de férias, eu acordei com o coração apertado e num mau humor que meus queridos amigos já conhecem tão bem, infelizmente. Fiquei o dia todo de cara fechado, só pensando em como ia ser foda ter que voltar pra Naarden, pra minha vidinha de au pair, principalmente depois depois de ter encontrado meus pais e amigos... mas eu sou assim dramática e sofro por antecedência, todo mundo já sabe. A Cathy pelo menos nem deu bola pra minha cara feia, aquela fofa! hahaha. Pra terminar o dia com programinha de meninas, fomos assistir uma comédiazinha romântica no cinema. Deu pra dar bastante risada e meu humor até melhorou. Quando deitei na cama e pensei que no dia seguinte eu estaria voltando pra Holanda... eu surpreendentemente me senti feliz!

Acho que foi porque eu passei mais de duas semanas fora de casa, ou talvez não tenha nada a ver com isso, mas em algum ponto da minha estadia em Berlim eu comecei a sentir saudades de Naarden e da minha host family, e eu nem consegui acreditar quando eu cheguei em casa e não senti nada além de felicidade e alívio!

No fim das contas, seja aqui em Naarden, ou em Amsterdam com a Paty, ou em qualquer outro lugar, a cada dia que passa eu me sinto mais a vontade com a minha decisão de ter vindo ser au pair na Holanda, e estou começando a sentir que os seis meses que me restam aqui vão ser muito mais proveitosos do que imaginava! De qualquer jeito, continuo fazendo contagem regressiva, por que a vontade de voltar pro Brasil ainda tá firme forte aqui... 6 meses manolada, 6 fucking meses e eu colo aí! ;)

xx.