segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Primeira Neve :)

Hoje, como sempre, meu celular despertou às 7h da manhã e eu levantei da cama resmungando de sono. Escovei os dentes, me troquei, penteei o cabelo, e quando ia abrir a porta do quarto pra sair, minhas kids vieram correndo dizendo "Nathalia, temos neve lá fora! Vem ver, vem ver!". Me pegaram pela mão e descemos correndo as escadas juntos, de mãos dadas, pra ver a neve que caía lá fora. Que coisa mais linda! Que momento mágico! Um sorriso enorme nos rostos de cada um de nós três, e acho que eu era a mais criança ali.

Durante o café, fiquei olhando o tempo todo pela janela, a neve caindo bem fraquinha, o chão do quintal coberto de um branco puríssimo.

De segunda feira eu geralmente não tenho que levar as crianças pra escola, mas hoje eles fizeram questão que eu fosse com eles pra ver a neve de perto, eles queriam ver como seria minha reação à primeira neve. Assim que eu saí de casa e coloquei os pés pela primeira vez naquela neve branquinha, senti que tudo valeu a pena.

A magia da neve contaminou a todos, e eu nunca me senti tão parte dessa família como hoje, quando todos sentamos à mesa e olhamos a neve cair branca e silenciosa lá fora.


Obrigada Holanda, por não me deixar ir embora sem ver essa beleza da natureza :)

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Reflexão e desabafo.

Já tem 4 meses e meio que eu estou na Holanda e é claro que a saudade é cruel e machuca, mas eu aprendi a lidar com isso. Estar aqui é uma oportunidade pela qual eu sou muito grata, de verdade, mesmo que não seja exatamente o que eu esperava. Tudo tem um lado positivo e um negativo, e ser Au Pair não é diferente, mas eu aprendi que não adianta nada pesar os dois, porque o que importa não é se existem mais lados positivos ou negativos, e sim como você decide encarar toda a situação e qual atitude você vai ter diante das dificuldades. Foi uma lição difícil de ser aprendida, mas hoje eu posso dizer que sou feliz por estar aqui.

Estando aqui eu pude conhecer inúmeras pessoas e lugares, diferentes hábitos e culturas, diferentes pontos de vista, vi lugares lindos, chorei como nunca pensei que era possível e me diverti como nunca imaginei que faria. Em um único dia, acordei em Amsterdam, a tarde estava em Den Haag, vi o sol se pôr em Delft, aproveitei a noite Rotterdam, e dormi novamente em Naarden. Cada experiência que eu tenho aqui é uma memória que guardarei pro resto da vida, cada amizade feita será lembrada em todos os momentos de alegria, cada riso e cada lágrima virarão história pra contar.

Não me arrependo mais de ter feito essa escolha, de ter vindo pra cá, mas mesmo assim não posso deixar de esperar ansiosa pelo dia em que voltarei ao Brasil. Tenho muitos planos pra quando voltar, e tempo de sobra para aperfeiçoá-los enquanto eu estiver aqui. Não vou deixar de viver cada momento, cada experiência aqui na Holanda com alegria, mas também não vou deixar de me sentir feliz sempre que lembrar que cada dia que passa aqui, me coloca um dia mais perto de ir embora.

Minha passagem de volta ao Brasil já tem dia e hora marcados. No sábado, dia 30 de junho, ás 10:05 da manhã estarei embarcando num voo direto da KLM do aeroporto Schiphol de Amsterdam para Guarulhos em São Paulo.

É, eu sei que enquanto eu faço a contagem regressiva pra ir embora, tem muita gente chorando porque não quer voltar, mas não me levem a mal. Não é que eu não esteja aproveitando meus dias de Au Pair na Holanda, é só uma questão de que existem coisas no Brasil para as quais eu quero muito voltar, e eu estou ansiosa pra tocar minha vida em frente e colocar em prática todos os planos que eu tenho para mim mesma.

Ser Au Pair é uma fase da minha vida, e assim como todas as outras, essa fase vai passar e outra vai vir em seu lugar. Enquanto isso, farei cada dia valer a pena, para poder, lá na frente, olhar pra trás e me orgulhar de ter escolhido passar por essa fase.

Faltam 165 dias e 15 horas... :)

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Natal, Ano Novo, Família, Paris, Berlim, e de volta à Holanda!

Salveeee 2012! Feliz ano novo manolada!! Sem perder tempo vamos às novidade... por partes.

O Natal. Foi o primeiro Natal que eu passei longe da minha família, e desde muito antes isso já estava doendo e eu achei que não ia suportar. Meu plano inicial era passar o Natal inteiro dentro do quarto chorando sozinha (because I'm a drama queen). Mas eis que mais uma vez eu tenho a Paty pra me salvar. Já vazei pra casa dela na sexta feira a tarde, e passamos o fds todo juntas. No sábado tivemos nossa ceia de Natal *particular* com direito a troca de presentes e vinho chique (cortesia dos hosts da Paty, aqueles lindos). Foi muito especial, não deu nem tempo de ficar triste pensando na parentaiada comendo peru lá no Brasil... amei.

No domingo a noite a minha família (pai, mãe e tia) chegaram em Amsterdam, mas infelizmente eu não pude ir buscá-los no aeroporto. Quase não dormi a noite inteira, acordei cedinho na segunda feira e arrastei a Paty comigo pra ir FINALMENTE encontrar meus pais depois de quase 4 meses longe deles. Foi uma emoção que não dá nem pra tentar explicar... amor de pai e mãe é uma coisa sensacional.

Durante a segunda feira inteirinha nós passeamos e conversamos muito, matamos a saudade, fizemos 18291871873871 coisas juntos, fomos no meu restaurante holandês favorito, fizemos passeio de barco e zaz... foi perfeito. Houve até um encontro entre minha host family (host mom e kids) e minha família de verdade! Foi lindo, adorei vê-los todos juntos, afinal eu já posso dizer que tenho muito carinho (finally!) pela minha família holandesa.

Foram 3 dias com a família em Amsterdam até quarta feira a noite, quando nós 4 pegamos um busão pra Paris... PARIS! *O*

Chegamos lá na quinta feira de manhãzinha e já fomos diretão pro centro da cidade. Eu nunca vou esquecer da euforia que eu senti quando coloquei meus olhos pela primeira na Torre Eiffel! Em um dia conseguimos fazer muita coisa na verdade, vimos a Torre, o Arco do Triunfo, A Champs Elysees, e vários outros lugares que eu nem consigo lembrar.

No dia seguinte fomos à Notre Dame, e cara, acho que é a coisa mais linda que eu já vi na vida. Sérião. Pelo menos eu sempre fui muito interessada em arte e arquitetura gótica (n.a.: não entendo porra nenhuma de arte ou arquitetura, mas sempre achei a coisa mais linda e sou uma amadora entusiasmada), e fiquei boba admirando cada detalhezinho dentro e fora da igreja. Foi aí que eu tive a brilhante idéia de subir na torre de Notre Dame. Foram 2 horas ou até mais na fila esperando, 8 euros pra entrar e MANO, uma ETERNIDADE de escadas pra subir. Me arrpendi de ter entrado lá no terceiro degrau, mas não dava pra desistir mais... subi e subi e subi e subi e eu achei que fosse morrer de claustrofobia e labirintite, subindo aquela escadaria estreitinha, fechada, em caracol... dá um troço só de lembrar, mas quando chegamos lá em cima e eu pude ver Paris inteira, senti que valeu a pena. É encantador.



Fizemos tanta coisa em Paris que na verdade eu não consigo me lembrar direito como as coisas se desenrolaram... mas lembro que depois de Notre Dame fomos ao Louvre e ao Palácio de Versalhes.

O Louvre é enorme, lindo, e eu A-M-E-I as salas de arte Grega porque lembrei dos Cavaleiros do Zodíaco, mas como todo turista inculto eu queria mesmo era ver a Mona Lisa. Decepção. De todos os quadros que eu já vi na vida, a Mona Lisa é o MAIS sem graça, é ridiculamente pequeno e chega a parecer até mal feito perto das outras obras que estão no museu. Pfff.



Brochei depois de ver essa porcaria e quis ir embora do museu, de lá fomos pro Palácio de Versailles. E aí sim hein mano.

É uma coisa absurdamente absurda, a começar pelo preço que eles cobram pra gente entrar lá. Mas até aí, pra quem já tinha pago 10 euros pra ver um quadrinho sem graça no Louvre, eu paguei mais 18 euros com gosto pra entrar no palácio do(s) Rei(s) Luís(es).

É ouro pra todo canto, uma extravagância que não tem nem como explicar, é inimaginável e eu nem vou tentar descrever porque não tem como, simplesmente não tem. É amazing. Se liga só no quarto da rainha:


Acho que Versailles foi a última coisa mega impressionante que eu vi em Paris. Lembro que andamos a cidade inteira pra achar a Sacre Coeur, mas eu tava morrendo de dor nos rins (é, dor nos rins) e não aguentei subir a escadaria, então não vi nada de Sacre Coeur. Vai ficar pra próxima vez.

A grande expectativa era a virada de ano na Champs Elysees, e eu me produzi toda, de maquiagem nova e zaz pra ir passar o que eu achei que fosse ser o ano novo mais chique da minha vida. Chegamos lá com nossa garrafa de champagne francês e uma cesta de queijos e arrumamos um lugarzinho privilegiado no meio da multidão, bem pertidnho do Arco do Triunfo, de onde a gente podia ver o lado da cidade onde fica a Torre e achamos que íamos ver uma queima de fogos inesquecível... Sabe o reveillon da Av. Paulista? Com certeza foi bem mais legal do que o nosso. Pff... preferia ter ido ver a Mona Lisa de novo. Mas whatever, o que importa é que eu estava com a minha família linda vendo 2012 chegar de Paris. Uh la la!

Na segunda a noite pegamos o busão de volta pra Amsterdam, e terça feira foi dia de despedida... doeu infinitamente mais ter que me despedir dos meus pais pela segunda vez, principalmente depois do tanto que eu fiquei homesick quando cheguei aqui... eu achei que não fosse aguentar me separar deles de novo, mas acho que eu já estou começando a ficar meio anestesiada, e fui forte o suficiente pra conseguir soltar a mão do meu pai e andar de cabeça erguida pro portão de embarque... porque enquanto eles embarcavam de volta pro Brasil, eu embarcava em direção ao meu segundo maior sonho: Alemanha!

Eu pra variar fui viajar sem ter onde ficar. Ok, acho que já estou me acostumando com isso... cheguei no aeroporto de Berlim as 21h, peguei minha malinha e sentei me perguntando "Deus, o que eu faço agora? Pra onde eu vou???" e eis que eu olho pro lado e tem um cartaz de um hostel, com um número de telefone e as palavras "ligue grátis para esse número...", e eu liguei. Foi a melhor coisa que eu fiz, pq não só o hostel tinha uma caminha fofinha e limpinha num quarto só de meninas pra mim, como também tinha pessoas novas esperando pra me conhecer lá!

Pra resumir, fiz uma amiga do Irã que me acompanhou dois dias inteiros passeando sem rumo em Berlim, e conheci duas meninas da - pasmem - Holanda! Super simpáticas, passei um dia todo com elas e ainda descobri que os holandeses são muito mais simpáticos que a maioria dos alemães (sad but true).

Como eu disse, conhecer a Alemanha era o meu segundo maior sonho (depois de Londres), e talvez eu estivesse com as expectativas altas demais, por que na minha opinião Berlim não é nem 20% tão fodástica quanto eu achei que ia ser. Acho que não é por nada, não sei explicar... mas eu senti um clima pesado em todo lugar que eu ia, a cidade é cinza e até um pouco feia, as partes do Muro espalhadas em todo canto e os memoriais de guerra e coisas do tipo dão um toque meio que assustador, é tenso, a energia não é boa. Talvez fosse só eu, porque eu sempre amei estudar a história alemã, especialmente a Segunda Guerra Mundial (meus professores da faculdade que o digam!), e em cada cantinho da cidade que eu pisava eu conseguia imaginar o terror que deve ter acontecido ali, e eu acabava sempre com um nó na garganta. Mas a experiência é impagável.

 

Uma coisa que eu decidi é que eu queria ir sozinha visitar o Museu dos Judeus, e foi a melhor decisão que eu tomei. Eu fiquei horas, mas assim, HORAS lá dentro. Eu analisei profundamente cada detalhe, eu li todos os depoimentos, li todas as cartas que estavam expostas, admirei todas as fotografias e peças originais, me permiti sentir cada sensação que o lugar proporciona. Óbvio que esse também não é um lugar de energias positivas, todas as histórias são tristes e eu cheguei a chorar quando entrei na "Holocaust Tower", uma torre  escura de 24 metros de altura fria e silenciosa, que foi construída para reviver a sensação de estar dentro de uma câmara de gás.



Apesar desse climão zuado, eu tive meus dias de alegria. Na sexta feira eu fui no aeroporto buscar minha amiga Cathy, nós fizemos faculdade juntas e ela está morando na Alemanha agora, tinha mais de 6 meses que não nos víamos! Foi tão legal encontrar com ela que eu esqueci da vida! Ficamos as duas na casa de uma outra amiga, fizemos comidinhas brasileiras, comemos 10298193819721928 donuts, bebemos 10219812710281961876319728712 litros de cerveja alemã e conversamos até as 4 e pouco da manhã. Foi delcioso!

No domingo, meu último dia em Berlim e último dia de férias, eu acordei com o coração apertado e num mau humor que meus queridos amigos já conhecem tão bem, infelizmente. Fiquei o dia todo de cara fechado, só pensando em como ia ser foda ter que voltar pra Naarden, pra minha vidinha de au pair, principalmente depois depois de ter encontrado meus pais e amigos... mas eu sou assim dramática e sofro por antecedência, todo mundo já sabe. A Cathy pelo menos nem deu bola pra minha cara feia, aquela fofa! hahaha. Pra terminar o dia com programinha de meninas, fomos assistir uma comédiazinha romântica no cinema. Deu pra dar bastante risada e meu humor até melhorou. Quando deitei na cama e pensei que no dia seguinte eu estaria voltando pra Holanda... eu surpreendentemente me senti feliz!

Acho que foi porque eu passei mais de duas semanas fora de casa, ou talvez não tenha nada a ver com isso, mas em algum ponto da minha estadia em Berlim eu comecei a sentir saudades de Naarden e da minha host family, e eu nem consegui acreditar quando eu cheguei em casa e não senti nada além de felicidade e alívio!

No fim das contas, seja aqui em Naarden, ou em Amsterdam com a Paty, ou em qualquer outro lugar, a cada dia que passa eu me sinto mais a vontade com a minha decisão de ter vindo ser au pair na Holanda, e estou começando a sentir que os seis meses que me restam aqui vão ser muito mais proveitosos do que imaginava! De qualquer jeito, continuo fazendo contagem regressiva, por que a vontade de voltar pro Brasil ainda tá firme forte aqui... 6 meses manolada, 6 fucking meses e eu colo aí! ;)

xx.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A Crise dos 3 meses

Então, essa semana eu completei 3 meses de Holanda, e a crise que todo mundo fala... eu não tive! Surpresa! :D

Todo mundo diz que o terceiro mês é o mais difícil, que é o mês em que bate a homesickness mais desesperadora, que as kids revelam seus monstros interiores e os pais começam a pedir pra você trabalhar nos fins de semana com mais frequência, que a vontade de comer a comidinha brasileira fica mais insuportável, e que é o mês em que você fica querendo voltar pra casa todos os dias porque nada no mundo pode abrandar a saudade.

Mas eu não tive essa crise não... porque isso tudo já é rotina pra mim aqui desde o primeiro dia! HAHA, aposto que vc achou que eu ia dizer que estou amando a vida de au pair né? Bobinhos ^^

Mas mesmo assim, coisas boas também acontecem aqui! Tudo tem dois lados, e ser Au Pair não é exceção: apesar do lado ruim (o de ter que aguentar birra de criança mimada por exemplo, e o fato de que eu fico doente de saudade da minha família todo santo dia), nem tudo são trevas e algumas coisas ainda conseguem me animar.

Por exemplo, desde que a Paty mudou pra Amsterdam, tudo tem sido muito mais lindo! Agora pelo menos eu tenho uma companhia todo fim de semana, e não me sinto tão sozinha. Nem que seja pra gente ficar bebendo vinho barato e comendo pizza, muffins, waffles e zaz no apartamento dela sem fazer nada, isso pra mim já é mais do que perfeito! OI PATY, TE ADORO MUITO TA? Sua linda!

E é claro, como toda Au Pair que se preze eu também vim pra cá pra viajar pela Europa, e os próximos destinos confirmados são: Paris no Ano Novo, e Berlim em Janeiro! Que coisa mais linda! (não percam o próximo capítulo sobre as viagens!).

Coisas como essas conseguem me manter de cabeça erguida e me impedem de fazer as malas e ir embora cada vez que eu lembro das minhas irmãzinhas esperando por mim lá em São Paulo, sem a big sister delas pra comprar o DVD do Harry Potter de presente de Natal...

E por falar em Natal, qual a graça de estar no único país da Europa que não celebra o Natal??? É isso mesmo que eu disse: SEM PAPAI NOEL, SEM COMEMORAÇÃO NENHUMA. Ao invés disso, eles celebram o tal de Sinterklaas, que é mais ou menos como o Santa Claus só que menos coca-colizado e com mais moral.

O Sinterklaas faz aniversário dia 5 de dezembro e nessa noite ele leva presentes pra todas as crianças boas. Essa parada aí é o "Natal" deles, eles se reúnem pra jantar e ganhar presentes (do Sinterklaas claro!).  Achei muito fofo da minha host family me convidar pra ir celebrar com eles, já que é uma experiência que eu provavelmente nunca mais vou ter na vida.

No começo eu fiquei super tristinha, porque eu vi todo mundo feliz, reencontrando os parentes que não viam há tempos, conversando alegremente e zaz... e me bateu uma dor no coração só de pensar que esse ano eu não vou estar com a minha família no Natal, fofocando com as primas que eu vejo só umas duas vezes por ano, e durante a primeira hora da comemoração com a família dos meus hosts tudo que eu queria era voltar pra casa, me trancar no quarto e chorar horrores abraçada com o travesseiro. Mas depois de um tempo os pais da minha host puxaram uma conversa animada comigo, contando sobre quando eles foram pra Paris e me dando várias dicas de onde ir e o que fazer quando eu estiver lá, fiquei agradavelmente surpresa com o tratamento que recebi deles, gente finíssima! Na hora dos presentes, eu estava super preparada pra não ganhar nada, afinal o tal de Sinterklaas supostamente nem sabe que eu existo (segundo a minha adorável criança!). Mas surpreendentemente o bom velhinho Holandês sabia bem da minha existência e deixou 5 presentes com o meu nome dentro do saco!



Achei muito legal da parte dos meus hosts... quer dizer, do Sinterklaas. Dank u wel Sint!

Resumindo, eu continuo homesick like hell, mas não significa que eu não posso aproveitar meu tempo aqui... quem me conhece sabe que eu só não estou 100% amando a experiência porque pra mim não existe maior felicidade no mundo do que poder estar com a minha família... mas eu vou continuar fazendo meu melhor aqui e aproveitando do jeito que posso.

Leve em consideração que eu sou (muito) dramática, e que com certeza as coisas não são tão ruins quanto eu faço parecer que são, mas definitivamente não são tão boas quanto podiam ser ;)

xoxo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ser Au Pair é uma maravilha!

Kid e amiguinho: "Nathalia, Nathalia, vamos brincar nos arbustos, ok?"
Eu: "Ok, mas não saia dos arbustos, fique por lá!"
Kid e amiguinho: "Mas e quando eu quiser voltar pra casa?????? :O"
Eu: "Quando vc quiser voltar pra casa você pode sair dos arbustos ¬¬".

15 minutes later...

*Criança berrando como se estivesse ardendo vivo no mármore do inferno, campainha toca aqui em casa. Le kid com o amiguinho chorão*

Kid (e amigo chorando e gritando em dor e sofrimento enquanto segura a perna): "Nathalia, ele se machucou no arbusto" (????) "acho que ele está muito mal! :O"
Eu (olhos arregalados e tremendo da cabeça aos pés, achando que a criança tinha quebrado a perna julgando pelo seu escândalo): "Deixa eu ver!! Me mostra onde está doendo!! :OOO"

*Le amigo levanta a calça e me mostra....... UMA PICADINHA DE FORMIGA*
*Passo uma água na picada e mando o moleque parar de drama peloamordedeuspaitodopoderoso.*

15 minutes later...

Eu: "Eu já falei pra vc parar de ficar passando a mão na picada se não ela não vai parar de coçar."
Kid: "Nathalia?"
Eu: "Sim?"
Kid: "Vc pode por favor parar com esse bla bla bla?"

E você ainda acha que ser Au Pair vai ser a melhor experiência da sua vida?? É vai ser sim, vai só esperando pelos bons momentos que vc vai ter! ^^









sexta-feira, 21 de outubro de 2011

This is London, This is Life!

Esse vai ser o maior post desse blog. Mas vale a pena, eu garanto. Leia até o fim! :P

Sexta passada, 14/10, eu saí da minha casinha aqui em Naarden as 20h com uma mochila nas costas e um sorriso no rosto em direção ao maior sonho da minha vida: Londres! Andei feliz e cantando até a estação de trem e não sei como consegui chegar a tempo de pegar o ônibus porque pra variar eu estava um bocadinho atrasada. Não tem muito o que falar nessa parte, eu entrei no busão, dormi, ronquei e babei a viagem inteira, e 11 horas e meia depois lá estava eu, pisando em solo Londrino pela primeira vez!

Todo mundo que me conhece sabe que eu sempre, desde muito criança, dizia que um dia iria embora pra Londres e que lá era meu lugar. E quando eu cheguei, eu tive certeza de que eu estive certa a minha vida inteira: Londres É o meu lugar! Foi uma sensação de "eu pertenço a esse mundo" que eu nunca senti antes em nenhum lugar, uma sensação de que eu já conhecia aquela vida e que eu já sabia o que fazer e aonde ir... Cara foi muito sonho! E muita aventura também.

Eu cheguei lá no sábado de manhã e eu não tinha onde ficar, não sabia pra onde ir, então eu resolvi sair andando sem rumo pela cidade pra ver onde eu ia parar. Resumindo e sem contar os detalhes do sufoco que eu passei, eu andei sem saber aonde ir por mais de 3 horas carregando aquela mala pesada nas costas. Foi tenso, eu achei que minhas costas nunca mais seriam a mesma coisa depois daquilo porque MANO, vou dizer que foi cansativo hein. Mas anyways, acabei achando um hotel baratinho pra passar aquela noite, despachei a mala dentro do quarto, dei um up no visual e saí de novo pra desbravar London sozinha.

Pra quem tava acostumado a pegar a linha vermelha em São Paulo as 6h da tarde, passando pela República, Praça da Sé e arredores, pegar o metrô em Londres é coisa de luxo. De cara eu já sabia me virar de metrô por lá, foi a coisa mais fácil.

Minha primeira parada foi Oxford Street. É uma rua enorme, cheia de lojas e mais lojas e mais lojas e mais lojas e mais lojas e mais lojas... e cheia de gente pra tudo que é lado. Eu fiquei encantada quando comecei a andar, era roupa e sapato pra todo canto que eu olhava, tudo em liquidação, eu achei que ia deixar já logo uns 500 pounds ali! Mas eu fui contida e não gastei nada lá. Pra compensar, fiquei entrando de loja em loja experimento roupas e imaginando se um dia eu ia poder passar por ali e comprar tudo aquilo. Cara, fui e voltei aquela rua de ponta à ponta pelo menos umas 4 vezes, certeza. Aí depois de mais umas 3 horas andando, chegou um momento em que minhas pernas simplesmente não aguentavam mais, e eu fui obrigada a pegar o metrô de volta pro hotel. Triste, queria ter ficado passeando em Oxford por mais umas 5 horas u.ú.

No hotel, consegui ligar pra uma amiga minha e combinamos de nos encontrar em Piccadilly Circus pra sairmos a noite. Tomei meu banho, fiquei linda e cheirosa, e saí de novo. No caminho, um sinal divino me disse que eu deveria entrar no McDonalds pra usar o wi-fi (porque eu não tinha conseguido usar a internet desde que cheguei) e eu fui. Quando consegui abrir meu e-mail, estava lá a salvação da minha estadia no UK: um amigo da família que mora em Londres há 11 anos tinha conseguido um lugar pra eu ficar o resto dos dias. ALELUIA! Quase chorei de emoção, porque eu até então não tinha pra onde ir no dia seguinte quando saísse do hotel.

Acho dispensável contar como foi a noite depois que entramos no pub porque eu não lembro de muita coisa, só sei que que não sei como eu voltei pro hotel, mas cheguei viva ou não.



O dia seguinte foi o dia mais caro da minha vida. Fui encontrar de novo a minha amiga e ela me levou pra conhecer o centro de Londres. Foi aí que tivemos a infelicidade de entrar na Loja M&Ms World, onde eu gastei 17 fucking pounds em m&m. Reflitam. Minha renda pro resto da viagem ficou comprometida ali.







De lá fomos encontrar os amigos dela pra ir almoçar num pub, foi o almoço mais delicioso que eu comi desde que saí do Brasil! Cara, tinha CARNE!!! *O* (pausa dramática.)

Depois de passar o dia todo andando, fui eu com a minha mala pesada pegar o metrô pra casa da amiga do meu amigo onde eu ia ficar. Eu tava toda com vergonha né, porque afinal eu nem sabia quem ela era e já ia ficar 3 dias na casa dela assim... Ela me encontrou na estação e fomos pra casa dela, onde eu fui muito, mas assim MUITO bem recebida. Essa pessoa é muito abençoada gente, vocês não tem noção! Vou ser grata pelo resto da minha vida inteira a ela!

Dia seguinte, segunda feira. Saímos eu e a minha mais nova host, junto com o amigo da minha tia pra fazer o famoso sightseeing turístico (é, aquilo mesmo: Buckingham, London Eye, Big Ben, Hyde Park, London Bridge, Westminster Abbey... todos essas lugares que todo mundo quer ver quando vai pra Londres). E é claro que pra completar meu dia de turista, eu tive que comer fish n' chips tomando Guiness, me senti quase uma inglesa. Foi muito lindo, eu já disse que Londres é perfeito?



Terça feira, penúltimo dia e eu já estava aos prantos porque ia ter que ir embora no dia seguinte. Mas lá fui eu encontrar de novo a minha amiga pra fazer o passeio MAIS MÁGICO de todos: King's Cross!! Todo mundo sabe que eu sou uma dessas Pottermaníacas que acha que Hogwarts existe de verdade e que um dia (mesmo que já tenho passado uns 11 anos dos meus 11 anos) ainda vai receber a carta (só outro pottermaníaco vai entender isso). Só de pisar em King's Cross já me senti como se eu realmente estivesse indo pegar o Expresso de Hogwarts... Andamos por todos os lugares da estação que a JK Rowling descreve no livro e onde foram filmadas muitas das cenas do primeiro filme, eu e a Mah quase choramos de emoção, minha mão até tremia de felicidade! Andamos pelo menos uma meia hora tentando achar as benditas plataformas 9 e 10, porque queríamos de todo jeito tirar uma foto entre elas pra dizer que estivemos na plataforma 9 3/4! E adivinha só? Não precisamos tirar uma foto entre a 9 e a 10 pra fingir que era a 9 3/4 porque A PLATAFORMA 9 3/4 EXISTE DE VERDADE!!!! Mágico, a parte mais emocionante de toda a viagem com certeza!



Bom depois de muitas emoções em King's Cross partimos pra Camden Town. Sabe quando a gente vê na TV que Camden é cheio de gente esquisita? Então, é muito mais doido do que dá pra imaginar! Mas é perfeito, que lugar lindo! Amei. Aproveitando que estávamos em Camden mesmo, resolvemos sair em busca da famosa casa onde a minha diva eterna, Amy Winehouse, morava. Foi mais uma meia hora de caminhada, mas conseguimos. Ficamos paradas ali na frente da casa número 30 em Camden Square, e pra mim (que sou muito fã) foi tocante. Pensar que ela morreu ali dentro, pensar em tudo que deve ter acontecido ali, pensar que estávamos ali no mesmo lugar em que ela esteve durante tanto tempo... foi um pouco tenso, a atmosfera ali não era a melhor, e dá pra entender porque. Eu nunca vou esquecer aquele momento, ali na frente da casa da minha diva. Depois dali, ainda tivemos pique pra pegar um busão pra Oxford e dar mais um passeio. Fim do penúltimo dia.



E finalmente chegou a quarta feira, meu último dia em Londres... logo que acordei e me toquei de que era a última vez que eu ia tomar café da manhã na cidade mais perfeita do mundo, eu queria chorar. Mas eu ainda tinha um dia inteiro pra aproveitar. O plano inicial era ir no Madame Tussauds, mas de última hora acabei indo encontrar um outro amigo em Oxford (é, de novo Oxford). Fomos na famosa loja de brinquedos Hamley's porque eu não ia ser feliz se eu saísse de Londres sem comprar um brinquedo do Harry Potter. O que eu compre é segredo.

Aí eu voltei pra pegar minhas coisas, tranquila e sem pressa porque eu tinha certeza que meu ônibus de volta só saía as 9:30 da noite. Quando eram umas 6 e meia da tarde, eu ia sair pra dar uma última voltinha em Fullham mas resolvi dar uma confirmada na minha passagem antes. E aí o que eu vejo??? Que o meu ônibus não saía as NOVE E MEIA da noite, e sim às DEZENOVE!! Ha-bloody-ha, fudeu, eu não ia nunca na vida conseguir chegar na estação a tempo de pegar o ônibus. Mas se eu disser que eu queria tanto, mas TANTO ficar em Londres que nem bateu um desespero... eu só conseguia pensar "isso é Deus dizendo que eu tenho que ficar aqui, que eu não tenho que voltar pra Holanda!". Mas eu sabia que eu tinha que voltar de um jeito ou de outro, então peguei minhas coisas, mala e sacolas de compras e mais compras e voeei pra estação. Não sei mesmo como eu consegui chegar lá tão rápido, mandei várias pessoas saírem "da minha frente, porra!" mas ninguém entendia... enfim, fiquei mais de 2h na estação esperando, mas consegui pegar o ônibus das 22h pra Amsterdam.

Cara, doeu. Doeu demais ter que ir embora de Londres, parecia que eu tava deixando uma parte de mim pra trás. A vida nunca mais vai ser a mesma agora que eu sei o que é Londres. Eu tenho certeza de que é àquele lugar que eu pertenço... é lá que eu tenho que ficar... mas não foi isso que a vida reservou pra mim né, e aqui estou eu de volta pra minha vidinha de Au Pair em Naarden... é capaz de eu entrar em depressão nos próximos dias.

Só sei que eu não preciso visitar mais nenhum outro país durante o próximo ano se eu puder voltar pra Inglaterra uma vez por mês. Oh well...

xx.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um mês e essa saudade...

Hoje faz exatamente um mês que eu cheguei aqui na Holanda. Ainda não sei se comemoro, se choro, se dou graças a Deus que agora só faltam 11... 

Foram 30 (ou 31?) dias divididos em sofrimento, diversão, homesickness, raiva, felicidade, esperança, desilusão, lágrimas, risos, e mais um monte de sentimento que nem dá pra explicar.

Posso dizer que foi metade sonho, metade pesadelo, sendo que a matade pesadelo já passou e a metade sonho não é 100% o o que eu sonhava pra minha vida, mas nada pode ser perfeito sempre e tenho que aprender a conviver com esse fato.

E por falar nisso, já aprendi muitas coisas aqui. Aprendi que solidão dói, e que a felicidade só depende de mim; aprendi a não fazer as coisas com má vontade e a ter paciência; aprendi a cozinhar e limpar a casa; aprendi a não fazer cara feia pras coisas que me irritam (aprendi a não me irritar facilmente) e a sorrir quando tenho vontade de chorar; aprendi que saudade dá e passa mas que o amor verdadeiro é maior e mais forte do que qualquer distância e que as pessoas que eu amo vão estar sempre comigo, por mais que não estejam aqui; aprendi que os muffins de baunilha com chocolate são muito melhores que os de chocolate com chocolate; e aprendi a confiar em Deus sempre em todas as circunstâncias e em todos os momentos, porque ele não dá a ninguém cruz maior do que é possível carregar, e que é nele que está a força pra seguir em frente sem medo de ser feliz.

Ufa! Se em um mês eu aprendi tanta coisa, imagina o tamanho da lista com mais 11 meses!

E eu estou feliz, finalmente, por estar aqui. Estou feliz porque já me sinto uma pessoa melhor e mais forte do que eu era há um mês atrás, mais madura e mais capaz.

E ESTOU FELIZ PORQUE A PATY VAI VIR PRA MINHA CASA ESSE FIM DE SEMANA E NÓS VAMOS CAUSAR UM AMSTERDAMAGE JUNTAS!!

Nada mais a declarar. Mesmo porque eu tenho que ir tirar as batatas do fogo antes que a galera aqui fique sem jantar.

xoxo.